Os 5 Sinais de Que o CMV Está Fora de Controle

 

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Os 5 Sinais de Que o CMV Está Fora de Controle

Descubra os principais sinais de que o CMV (Custo de Mercadoria Vendida) está fora de controle e aprenda como identificar perdas que afetam diretamente o lucro do seu restaurante.

Durante minha trajetória na gastronomia, sempre procurei acompanhar de perto aquilo que muitos profissionais acabam deixando em segundo plano: os números.

Como chef de cozinha, atuando há anos na área de Alimentos e Bebidas, aprendi que o sucesso de um restaurante não depende apenas de uma boa cozinha ou de um salão cheio. Grande parte do resultado está na gestão dos custos.

Por isso, sempre acompanhei fichas técnicas, compras, pedidos, estoque e precificação. O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) nunca foi apenas um relatório para mim. Sempre foi uma ferramenta de trabalho tão importante quanto uma faca bem afiada ou um forno regulado.

E existe um problema comum em muitos negócios gastronômicos: o CMV começa a sair do controle sem que ninguém perceba.

Quando isso acontece, os sinais aparecem antes mesmo dos números finais do mês.

1. O movimento aumenta, mas o lucro não aparece

Esse é talvez o sinal mais perigoso.

O restaurante vende mais, o salão está cheio, o delivery não para, mas o caixa continua apertado.

Muitas vezes o empresário acredita que o problema está nas vendas, quando na verdade está nos custos. Vender mais um produto com margem baixa ou mal calculada pode significar apenas trabalhar mais para ganhar menos.

2. Os preços dos insumos mudam constantemente e ninguém revisa o cardápio

Quem trabalha na Serra Gaúcha conhece bem essa realidade.

Uma semana a caixa de tomate está em determinado valor. Na outra, após uma sequência de chuvas ou problemas na produção, o preço dispara.

O mesmo acontece com hortaliças, frutas, carnes e diversos produtos sazonais.

O clima influencia diretamente a produção agrícola, e isso chega rapidamente às cozinhas.

O problema surge quando os custos aumentam e as fichas técnicas permanecem exatamente iguais. O restaurante continua vendendo pelo mesmo preço enquanto a margem diminui silenciosamente.

3. O estoque nunca fecha corretamente

Quando as compras não batem com o consumo real, algo está errado.

Pode ser desperdício, falha nos controles, erros de produção ou até mesmo problemas de armazenamento.

O estoque é uma das principais ferramentas para entender o comportamento do CMV.

Se os números não fecham, dificilmente o custo real dos pratos estará correto.

4. As porções variam conforme quem está produzindo

Esse é um clássico.

Um cozinheiro serve 180 gramas de proteína.

Outro serve 220 gramas.

O cliente talvez nem perceba a diferença, mas o CMV percebe.

É justamente para isso que servem as fichas técnicas. Elas garantem padrão, qualidade e previsibilidade de custos.

Sem padronização, cada prato vendido pode ter um custo diferente.

5. O desperdício virou algo normal

O desperdício nem sempre está no alimento que vai para o lixo.

Ele aparece na compra excessiva.

Na mercadoria perdida por validade.

Na armazenagem inadequada.

No molho servido em quantidade acima do necessário.

Na falta de aproveitamento de ingredientes.

Pequenas perdas diárias parecem insignificantes quando observadas isoladamente. Mas somadas ao longo de semanas e meses, representam valores expressivos.

A verdade é que o CMV não é apenas uma fórmula ou um indicador financeiro.

Ele conta a história da operação.

Mostra como a equipe trabalha, como as compras são realizadas, como o estoque é controlado e como os pratos são executados.

Na gastronomia moderna, cozinhar bem continua sendo fundamental. Mas entender custos se tornou igualmente importante.

Porque um restaurante pode servir pratos excelentes, receber elogios e manter a casa cheia. Ainda assim, sem controle do CMV, o lucro pode desaparecer.

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Dicas de ações práticas importantes

Aqui estão 5 ações rápidas e práticas para atacar diretamente os sinais de que o CMV está fora de controle:

Revisar margens

Analise quais pratos realmente dão lucro e ajuste ou retire os que têm margem baixa.

Atualizar fichas técnicas

Sempre que o preço dos insumos mudar, revise imediatamente o custo e o preço de venda.

Auditar estoque

Faça inventários semanais e compare com compras e vendas para identificar perdas ou desvios.

Padronizar porções

Treine a equipe e use utensílios de medida para garantir consistência no preparo.

Reduzir desperdício

Implemente reaproveitamento inteligente de insumos, controle validade e ajuste compras ao giro real.

Esses pontos são simples de aplicar no dia a dia e já trazem impacto direto no resultado.


Finalizo

No fim das contas, tudo começa no cardápio. Um cardápio bem estruturado garante margens corretas e clareza nos custos. 

Mas não basta apenas isso, é preciso ter uma equipe alinhada, um comprador atento fazendo cotações e executando compras certas, e um estoque organizado que reflita a realidade da operação. 

Quando esses pilares caminham juntos, o CMV deixa de ser um problema e passa a ser uma ferramenta estratégica para garantir lucro e sustentabilidade no negócio gastronômico.

C.I e C.C 

 “Essas são outras questões importantes. Em um novo post, vou abordar esse assunto e ajustar esse buraco sem fim, o tal do C.I (consumo interno) e o C.C (cortesia da casa), essa nobreza da cortesia. Afinal, quem paga a conta é o patrão. Então, se liga nessa, seus caros patrões.”

Dicas valiosas.

Gestão eficiente 

Tudo precisa caminhar junto

No caso de hotéis, o desafio é ainda maior porque o restaurante precisa atender hóspedes (com demandas variáveis) e, muitas vezes, também clientes externos. Isso exige um equilíbrio entre planejamento de compras, flexibilidade de cardápio e rigor no controle de custos.

CMV (Custo de Mercadoria Vendida)

Chef Vanderlei Becker

Gastronomia em Foco 

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